Entre 500 a 600 enfermeiros estão hoje ao serviço e em condições de fazer greve na Madeira, podem até ser mais, diz o Sindicado dos Enfermeiros da Madeira, que acredita que um bom número vai aderir a esta paralisação que teve início esta manhã pelas 8 horas e decorre por dois dias. Na última, há mais de um ano, a paralisação rondou os 70%, informou Juan Carvalho. Em causa está o cumprimento dos compromissos assumidos nas negociações pelo Governo a nível nacional, nomeadamente no que diz respeito ao suplemento remuneratório de 150 euros para os enfermeiros especialistas, o descongelamento das carreiras e a revisão da carreira, assim como a nível regional a contratação de pelo menos 400 enfermeiros até ao final da presente legislatura, informou o presidente do sindicato.

A esta hora ainda não é possível ter números sobre a adesão dos profissionais na Madeira, informou. Da passagem que vários dirigentes fizeram ontem pelos hospitais João de Almada e Nélio Mendonça, a ideia que ficaram é de que vai haver “uma boa adesão”, adiantou o sindicalista. “Os enfermeiros revêem-se neste processo de luta. Até que ponto é que este sentimento de revolta vai influenciar os resultados, vamos ver”.

O conjunto de compromissos assumidos no processo negocial do ano passado pelo ministro da Saúde não estão a ser cumpridos, lamentou Juan Carvalho, um conjunto de medidas no sentido da valorização da profissão que era para ter tido início em Janeiro deste ano e que se mantém por cumprir. A nível da Região, é a contratação que mais motiva a saída à rua. Dos 400 enfermeiros que deverão ser contratados nesta legislatura, a terminar em Outubro do próximo ano, 250 ainda estão por contratar. “Em 2016 foram admitidos 150. 2017 tinha sido dito que iam admitir 50, não admitiram, não entrou ninguém. E agora, este ano, depois de anunciarmos a greve, o secretário regional da Saúde há dias veio dizer que vai abrir o procedimento concurso para 65 enfermeiros. Mesmo que abra para 65 ainda estamos muito longe dos 400 mínimos que era o compromisso”, referiu. Além disso, na Região os problemas vão mais longe. Há falta de enfermeiros e há profissionais que estão a trabalhar por dois ou três, alertou. “Estão cansados, exausto, e não sentem no final do mês, objectivamente, nada de melhor em relação aos anos anteriores”. Esta greve, referiu Juan de Carvalho, pretende ser “um grito de alerta” junto do Governo para cumprir os compromissos e para resolver os problemas da classe.

 

fonte:dnoticias.pt