ASSÉDIO LABORA, SAIBA COMO AGIR

Assédio laboral tem várias formas, é difícil de identificar e tantas vezes desvalorizado. Mas tem consequências para a saúde dos trabalhadores.


O que é?

O assédio laboral é uma forma de violência no trabalho e é proibido por lei.

Consiste em comportamentos abusivos, repetidos e intencionais que atentam contra a dignidade, provocam humilhação, isolamento, medo e sofrimento e criam um ambiente intimidativo, hostil, degradante e desestabilizador.

Sinais de assédio:

  • Desvalorização sistemática do trabalho

  • Críticas constantes injustificadas e destrutivas

  • Humilhações públicas ou privadas

  • Isolamento deliberado

  • Gritos, insultos e ameaças repetidas de despedimento, cessação de contratos ou outras represálias, como transferências de serviço ou posto de trabalho

  • Retirada de funções e violação do direito à ocupação efetiva do posto de trabalho

  • Imposição de objetivos impossíveis ou desadequados (incluindo no âmbito da Avaliação do Desempenho) ou de cumprimento de prazos irrealistas

  • Apropriação de ideias ou projetos de reconhecimento da autoria

  • Transferências ou alterações do posto de trabalho com o objetivo de isolar (ou outro)

  • Criação intencional de situações de stress para provocar desgaste emocional

Se estes comportamentos se repetem, não os normalize. O assédio é uma prática de abuso de poder que visa intimidar, enfraquecer e limitar direitos.

O que fazer?

1- Registar os acontecimentos.

A prova é essencial para fortalecer a sua defesa

  • Registe todos os episódios com datas, horas, locais, descrições e testemunhas

  • Guarde emails, mensagens, ordens escritas e outros documentos

  • Solicite relatórios médicos ou psicológicos que evidenciem os impactos na sua saúde

  • Reporte as situações junto dos serviços de medicina no trabalho

Apesar da lei prever o “direito a desligar” as novas formas de comunicação (por exemplo, os grupos no WhatsApp) tornam cada vez difícil o exercício desse direito.

O que se iniciou como uma forma de facilitar a comunicação, rapidamente pode transformar-se em novas formas de assédio laboral por colocar o trabalhador numa posição difícil perante a entidade patronal ou o superior hierárquico.

São exemplos disso, as solicitações constantes de alteração de horários para ir trabalhar “porque um colega está a faltar” ou “para ficar em casa” por diminuição da produção ou da afluência de clientes ou porque vai faltar um membro da equipa multidisciplinar determinante para o seu funcionamento.

2 - Procurar apoio.

Quem assedia procura isolar. A sindicalização e a solidariedade são a melhor resposta

  • Fale com colegas solidários

  • Identifique outras pessoas que tenham testemunhado ou sofrido situações semelhantes

  • Contacte os delegados ou dirigentes sindicais

  • Responsabilize a entidade patronal

  • Não aceite insultos, humilhações ou ordens abusivas

  • Evite encontros a sós com o/a assediador/a


    3- Conhecer e exercer direitos.

Não silencie. O assédio não é um problema individual.

  • Contacte o sindicato e recorra ao nosso apoio jurídico

  • Apresente queixa à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT). Conte connosco para ajudar

  • Recorra à Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), em casos de assédio baseado em fatores discriminatórios. Conte connosco para ajudar

  • Procure apoio médico e psicológico

  • Conte com familiares, amigos e colegas


    4 - Protege a saúde.

O medo de represálias cala muitas vítimas.

Não se cale.

Não aceite

O assédio fere a dignidade humana, destrói a saúde, compromete a liberdade e viola os direitos fundamentais no trabalho

Prevenir e combater o assédio laboral não é uma opção – é uma obrigação legal e ética das empresas e das instituições, que estão obrigadas a cumprir Códigos de Boa Conduta para a Prevenção e Combate ao Assédio no Trabalho

O ASSÉDIO É UM ABUSO DE PODER INTOLERÁVEL.

Sindicaliza-te. Tens no teu sindicato a segurança que precisas!

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